Por - Redação Conde FM:
O consumidor brasileiro que encosta seu veículo em um posto com a clássica e familiar bandeira da Petrobras pode não saber, mas está abastecendo no epicentro de uma queda de braço que afeta diretamente o bolso da população e a economia do país. A Vibra Energia, corporação que herdou a rede de postos após a privatização da distribuição de combustíveis, assumiu a linha de frente de um boicote silencioso — e altamente lucrativo — às medidas do governo federal para conter a disparada do diesel.
O cenário internacional é, sem dúvida, de turbulência. Com a explosão dos conflitos no Oriente Médio, a pressão sobre o barril de petróleo é uma realidade inegável. No entanto, enquanto o Palácio do Planalto e o presidente Lula tentam implementar mecanismos de amortecimento para blindar o mercado interno e proteger os caminhoneiros e o setor produtivo, a maior engrenagem da distribuição nacional rema na direção contrária.
A escala do problema é colossal. Não estamos falando de um agente coadjuvante. A Vibra Energia é a maior empresa do setor de distribuição de combustíveis e lubrificantes do Brasil. Ela está presente em todos os estados da federação e opera uma teia de mais de 8.350 postos de serviços licenciados. É um monopólio de fato, travestido de livre concorrência, operando sob a confiança que o brasileiro ainda deposita na marca "Petrobras".
A prova cabal dessa assimetria de interesses ocorreu no final de março. A Vibra Energia foi autuada por uma prática que desafia o bom senso e a economia popular: a elevação do preço do diesel em impressionantes 35 vezes. Uma margem de manobra que não encontra justificativa apenas na flutuação do mercado externo, mas que cheira a puro oportunismo corporativo.
O que assistimos hoje nas bombas não é apenas o reflexo de uma guerra em um continente distante. É o resultado cristalino e doloroso das privatizações desenfreadas promovidas em setores que são a espinha dorsal do país. Quando o Estado abre mão do controle de sua energia e logística em nome de um suposto "mercado livre", quem paga a conta do lucro de poucos é o cidadão comum. O boicote da Vibra Energia é um alerta vermelho: a soberania nacional e o prato de comida do brasileiro não podem ficar reféns de planilhas de acionistas.
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