A relação entre a Refinaria de Mataripe e a comunidade de São Francisco do Conde vive um momento de tensão. Apesar de o gigante industrial estar cravado em solo são-franciscano, o sentimento de quem mora na cidade é de invisibilidade. Nos últimos dias, uma onda de questionamentos tomou conta das redes sociais, apontando um suposto "escanteio" dos profissionais locais em prol de trabalhadores de cidades vizinhas.
O Relato que Viralizou
O estopim para a discussão foi o depoimento contundente de um motorista que realiza o transporte diário de funcionários para a refinaria. Segundo ele, o fluxo de trabalhadores vindo de outros municípios é desproporcional.
"Com respeito a Madre de Deus, Candeias e as cidades circunvizinhas, todas elas estão participando da parada da Refinaria", declarou o motorista.
Ele detalhou que a logística de transporte de cidades vizinhas impressiona:
"Tinha para mais de 40 carros saindo de Candeias hoje. Só em um único veículo, contei 21 pessoas".
Qualificação existe, a vaga não
A principal queixa da população não é a falta de preparo, mas a falta de oportunidade. Internautas relatam possuir currículos robustos, com experiência prévia e cursos técnicos específicos para a área industrial, mas que acabam barrados nos processos seletivos ou sequer são chamados para as janelas de manutenção e paradas de planta — momentos em que a demanda por mão de obra atinge o pico.
Para o morador de São Francisco do Conde, a questão ultrapassa o âmbito profissional; é uma questão de justiça econômica. A prioridade na contratação local gera um ciclo virtuoso: o salário circula no comércio do bairro, fortalece as famílias da região e reduz custos logísticos para a própria empresa.
O Silêncio da Acelen
A Refinaria de Mataripe é administrada pela Acelen. Até o fechamento desta edição, a empresa não havia se posicionado oficialmente sobre os critérios de contratação ou sobre os questionamentos levantados pela comunidade. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
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